A cor da sua dança
- ACCS
- 15 de abr. de 2019
- 2 min de leitura
Por Luana Lordelo
Quando a luz dos olhos meus,
Quando o ouvido dos meus olhos e
Os olhares de meus ouvidos.
Nunca dei muita atenção a minha miopia. Uso óculos desde os 7 anos. Na
escola os maiores ficavam no fundo e os menores na frente e eu me sentia
com dificuldades de ver o que estava no quadro, aí a professora disse “menina,
tem que ir no oculista.” E então sempre tive o óculos como uma parte de meu
corpo, uma parte de mim, e confesso nunca me adaptei a lentes por beleza e
etc.. Sempre dancei de óculos, eles já caíram em algumas piruetas, já
grudaram com o suor, eles estão sempre comigo, meu companheiro fiel...
Quando fico sem eles parece que não escuto bem, e não sei explicar porque
isso acontece, as vezes eu tiro o óculos na aula pra ter uma sensação diferente
e realmente muda toda a minha relação com o espaço e os outros... Adoro
dançar no palco sem óculos, só vejo focos desfocados da luz, sinto mais o
calor da luz, mas antes eu ensaio pra não me bater nas pessoas, e se alguém
errar o lugar, vixe, fico perdida! Quando era Ballet era fácil porque era mais
lento e a gente repetia tanto... Quando era Jazz, nossa, era bem tenso! Porque
sempre colocavam muita fumaça, e a dança era mais rápida, então não dava
pra pensar muito... Hoje eu me dou ao “luxo” de não me julgar mais, às vezes
faço de óculos, à s vezes experimento o movimento sem eles, e se eu errar que
se danem... Acho que por isso tenho a cabeça mais travada, porque sempre
que ia soltá-la lembrava de não deixar o óculos cair... Não posso dirigir sem
ele... Já tenho até o nariz mais fundo... Acho a minha miopia um charme
poético, e quando minhas alunas dizem: pró, posso fazer aula de óculos? E eu
respondo, claro, rafa, ele é tão violeta! Combina com a cor da sua dança!
#pracegover fundo escuro de um palco de teatro iluminado por três refletores, uma bola azul no centro da imagem, com pessoas sentadas nas laterais. Fim da descrição.

foto Jéssica Barbosa
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